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Por tudo isso é que eu digo: sempre bom ir checar se a ruela do boy ainda é a mesma do começo do namoro, ou se com o tempo, eles se acostumando, perdendo o medo, sem você nem perceber ela não foi virando avenida. E que avenida, jesus! Quatro, cinco pistas, via expressa, nem semáforo non cé, porque a velocidade ali é babado. Sério, cê ia querer morrer se visse o que eu já vi caber num edi. Garrafa, afe!, garrafa é fichinha. Fiquei é aqui pensando um engarrafamento, como que seria. Rá! Comigo ainda non é sucesso, mas nunca é tarde pra um retetê desses. Na hora eu ia rir horrores, isso é o que eu sei, mesmo que depois a gente saísse vuado atrás de hospital. Cada coisa que já foi parar em hospital. Engarrafamento então não teve, agora já imaginou um bração, esse que você tá vendo, mão, cinco dedos, pulso, antebraço, até o cotovelo credo que também foi, entrando inteiro dentro de uma maricona? A sensação, senhor! O cu parecia que non aveva fine. Aquela coisona mole das paredes dentro do edi roçando a minha pele, argh! Gatinha, lógico que de luva, achei minha mão num bueiro por acaso? Até tinha uma doida que dizia que fazia sem, mas o fedô não tem depois cristo que tire. O cheiro às vezes, dependendo da podridão da cona, mesmo com luva de vinil, látex, passa pra pele, impreguina, daí você já imagina. Meus consolos eu boto logo três guantos duma vez, senão o ofofi do fiofó do ser fica só por deus. Tem, inclusive, braço de plástico em sex shop que eu já vi, tamanho real, se cê for mais nojentinha e não quiser usar o seu. Só perna que ainda não vi vendendo, mas ia ser sucesso se tivesse. Nunca imaginou perna sendo usada assim? Não se engane com a delicatesse do meu pezinho de cinderela, gata, virgem é tudo o que ele não é. De neca eu posso não ser bem, mas meu pé e minha mão, em compensação, não foi só esse edi que eles desbravaram. O sonho de todas as mariconas é ser larga igual uma assim, mas poucas conseguem ir tão longe… ainda mais que a maioria das gatas prefere a morte a fazer esse tipo de fetiche. Bico de ganso, o nome da técnica milenar em português. Faz o biquinho com a mão, dedos esticados, firmes, aí lambuza bem tudo de gel (e aqui aqueles comuns de postinho e farmácia não dão conta, tem que ser o que é próprio per questo, a não ser que seja esse um cu desses que nem mais fecha, desses que as pregas nem servem pra segurar bosta mais) e vai indo, vai indo, até que uma hora mal cê viu já tá lá toda acomodada dentro. Mão fechada de uma vez só, aí é que não dá, machuca, tem que ir de pouquinho mesmo. Piano, piano, um centímetro de cada vez. As preguinhas esticadas do edi aqui cedendo, ali apertando, parecendo que vão arrebentar, mas, se for com jeitinho, que arrebentar o quê!, essa é a hora que elas mais gozam. Maricona quando se encontra, quando ela finalmente perde a vergonha, aí já não tem pica que satisfaça, é braço pra cima. Mais largas que a gente, que é feminina… e eu fico como? Béige.


créditos da foto: Cintia Antunes

Amara Moira é travesti, feminista, doutora em teoria e crítica literária (com tese sobre indeterminações do sentido no Ulysses, de James Joyce) e autora do livro autobiográfico E se eu fosse puta (hoo editora, 2016). 


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