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Ontem choramos. E você chorou numa hora e num cômodo diferentes dos meus. Repartimos essa escada sobre a qual caminhamos pelo apartamento. Anunciando o circo que não chega. As nuvens se aproximam das salas, mostram o quanto se esforçam para se tornarem cinema. E você responde saiam daí, passarinhos

Hoje você chorou. E eu ainda não chorei.

E tem essa fraqueza-alegoria, o repartir do tempo e a prova renovada da união. Chamaremos de receita quando tudo isso passar. Em nosso rosto esse mesmo olhar (dois siameses), um olhar que já não teme se perder das coisas. (No meio do sonho você diz a cor cinza foi a única que ainda não pagou o ingresso.)

créditos da foto: Renato Prada

Paulo Scott é autor de seis livros de poemas – os mais recentes são “Garopaba Monstro Tubarão” (Selo Demônio Negro, 2019) e “Mesmo sem dinheiro comprei um esqueite novo” (Companhia das Letras, 2014), livro vencedor do Prêmio da APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte 2014 – e seis de prosa – dentre eles o livro de contos “Ainda orangotangos” (Editora Record, 2007, republicação), adaptado para o cinema pelo diretor Gustavo Spolidoro, longa-metragem vencedor do 13º Festival de Cinema de Milão, e os romances “Habitante irreal” (Alfaguara, 2011), livro vencedor do Prêmio Machado de Assis 2012, da Fundação Biblioteca Nacional, lançado também na Alemanha, Portugal, Inglaterra, Estados Unidos e Croácia, “O ano em que vivi de literatura” (Editora Foz, 2015), livro vencedor do Prêmio Açorianos de Literatura 2016, e “Marrom e Amarelo” (Companhia das Letras, 2019), publicado em Portugal e em preparação para ser lançado na Inglaterra e nos Estados Unidos, no qual aborda as perversidades do racismo e do colorismo no Brasil. 

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