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Olá, amigxs,
O tema desta coluna será o amor, para a alegria dos românticos de plantão, começando por mim.
Hoje à tarde, estava eu à sombra, debaixo da minha jabuticabeira, quando uma fruta suicida caiu sobre a minha careca e: eureca! Tive o seguinte insight:

       O amor é coisa de velhos.

Hã! Como, quando, onde, quê?!!

Sim, cara corada. O amor é coisa de velhos.
Mas calma, toda calma é necessária, estamos em tempo de pandemia.
Defenderei minha tese sereno, feito um recém-nascido adormecido após ter sugado sua ( dele) sagrada teta.
Preparados? Então, segurem esta manga:
A tese bombástica contém dois substantivos principais, amor e velhos , que superam, em importância, o verbo ser.
Abracemos então o amor e a velhice como se fossem o nosso ser amado.
O amor é um abandono do ego, um “apesar de nós”, quando acontece em plenitude. Explico-me:
Na juventude, o amor é falta, desejo desesperado, e se expressa enquanto paixão ( muitas vezes, é confundido com ela).
Ou seja, o que chamamos amor, na juventude, é apenas uma parte de todo amor. O outro nos preenche, é o que nos falta, somos egos ocos ( oh, lo-oco!!)
Na maturidade, a coisa muda. O amor é reconhecimento, ou seja, reconhecemos o ser amado, a partir do momento que percebemos que ele sempre existiu dentro de nós.
Na juventude, quando amamos, uma parte de nós – talvez a melhor parte – é o o outro. Somos egos espelhos, desesperados, em busca da íntima imagem.
Na velhice, ah, meus amadxs, acontece o verdadeiro milagre, mas apenas para os que confessarem que viveram.
O amor é o outro, a constituição plena do outro, independente de nós, um apesar de nós. Sacaram?
( Rezo que sim).
Nosso ego já não mais precisa reconhecer ou “desejar” desesperadamente alguém, é um ego pleno, constituído. Logo, sereno. Silencioso, feito um buda.
Amamos porque somos, porque o outro é, e o amor se realiza em toda sua beleza-potência-plenitude e silêncio.
Concluindo, darei um exemplo prático ( e juro que termino):
Carlos e Maria, dois velhos comuns, conversam entre si:

Maria – Carlos, você me ama?
Carlos – Claro, meu amor.
Maria: E por que você me ama tanto, querido?
Carlos – Porque eu sou Carlos e você é Maria.

Será que descobri alguma sobre o amor?
Cabisbaixo, volto para jabuticabeira.


créditos da foto: arquivo pessoal

Marne Lúcio Guedes é escritor, dramaturgo e roteirista de cinema/TV. Escreveu a coletânea de contos CIO (Editora Desatino), e participou de diversas coletâneas, entre elas: Cartas do Fim do Mundo (Editora Terracota), Geração Zero Zero (Editora língua Geral), seleta dos principais escritores que lançaram seus livros de estreia na primeira década deste século. É criador do projeto de oficinas criativas: Erro, mas escrevo, em parceria com a Livraria da Vila, em São Paulo, assim como em parceria com o SESC, instituição no qual ministrou mais de 12 oficinas, ao longo dos últimos três anos. Atualmente, finaliza seu romance PALI, a ser lançado em breve.


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